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    O impacto na vida dos jovens que querem seguir carreira no futebol

    É inegável o fascínio que o futebol desperta a vida das crianças e jovens no Brasil. Diante de uma bola, as outras brincadeiras ficam de lado e parte das crianças e adolescentes alimentam o sonho de querer um dia viver de futebol e transformar suas vidas e de suas famílias.

    Do sonho a realidade a caminhada é, na maioria das vezes, muito dura e tem impactos profundos na relação da criança e dos jovens com suas famílias, escola e na sua formação social.

    Neste artigo, vamos explorar estes impactos nas vidas dos jovens com base no estudo realizado com clubes do interior do Rio Grande Sul publicado pela Universidade Federal do Espírito Santo (clique e veja o estudo na íntegra).

    Nas últimas décadas a formação de jogadores ganhou grande visibilidade em todo o mundo e não foi diferente no Brasil. Contudo, ao contrário do que ocorre em países do continente Europeu, a grande maioria dos clubes brasileiros não conta com estrutura e equipe de recursos humanos suficiente para atuar na formação desses jogadores.

    Ressalta-se que ao longo do processo de formação os jogadores enfrentam uma série de tensionamentos, como o medo do desligamento do clube, a rotina estafante de treinos, o isolamento social e a incerteza do sucesso na carreira.

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    Esta falta de estrutura no Brasil acarreta numa grande circulação de crianças e jovens pelo país em busca da oportunidade de atuar na categoria de base de algum clube formador. Esta circulação, por sua vez, tem como consequências diretas:

    1. O afastamento dos jovens de sua família, como todos os impactos que isso representa em sua formação social e escolarização;

    2. Interferência no processo de escolarização,

    3. O comprometimento da reconversão profissional no momento que os jogadores deixam o universo do futebol.

    O estudo foi realizado com 124 alunos das últimas categorias de base de cinco clubes do interior do RS.

    Do universo de 124 alunos avaliados 49% vieram de cidades diferentes (alguns até de outros estados), enquanto 51% eram naturais da cidade do clube. O que reforça a questão da circulação.

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    Interessante notar que os jovens pesquisados chegaram aos clubes por meio da indicação de empresários, de dirigentes, de treinadores, de olheiros ou eram procedentes das escolinhas dos próprios clubes.

    Isso mostra que as tradicionais peneiras vêm se transformando mais em uma estratégia de marketing dos clubes do que em um momento de captação de futuros jogadores.

    Em média, os jovens pesquisados haviam passado por três clubes e eram raros aqueles que permaneciam por mais de três anos no mesmo clube.

    Os próprios clubes contribuem para este processo de circulação a medida que não possuem, salvo exceções, um planejamento contínuo de médio e longo prazo produzindo um efeito de 'juvenilização" desse fenômeno. Vários clubes simplesmente dispensam seus jovens futebolistas quando estes atingem a idade limite da última categoria de base do clube.

    Os Impactos na Escolaridade

    Após a captação, os jovens passam para o processo de formação, constituída por treinamentos intensos, pouca remuneração, longos confinamentos, muita disciplina, demanda emocional e corporal, circulação, angústias, possibilidade de exclusão e de dispensa do clube, etc.

    Os jovens pesquisados tinham em torno de 16 horas semanais de treinos, mais o tempo do deslocamento para os treinos e para as viagens dos jogos. O grande tempo dedicado ao futebol, junto aos desgastes oriundos dos treinos físicos, do envolvimento psicológico e emocional, etc., faz com que o futebol interfira no processo de escolarização dos jogadores.

    Quando se avalia o perfil de escolaridade dos jovens jogadores, vemos como esta rotina interfere no processo de escolarização:

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    As principais dificuldades destacadas pelos jovens para compatibilizar a escola e futebol foram: viagens, treinos, o cansaço e as constantes trocas de cidades. Vejam alguns depoimentos:

    "(...) com a rotina de treinos o estudo fica um pouco mais difícil e, às vezes, tens que faltar a aula por causa de viagem”

    "(...) eu gosto de estudar, mas meu primeiro plano sempre foi jogar futebol"

    “(...) a maioria dos jogadores não rodam de ano porque são burros, eles reprovam porque circulam, trocam de clube e de cidade”

    O estudo aponta, contudo, que estes dados não devem ser tomados como verdade generalizável, já que a escolarização dos jovens das classes populares ainda é um desafio no país.

    No entanto o texto também destaca que ao menor sinal de sucesso no futebol os estudos tendem a ser deixados de lado. Um indicador disso é o deslocamento de atletas para o ensino noturno, principalmente nas categorias a partir da categoria sub-20.

    O distanciamento dos familiares devido a grande circulação contribui para este insucesso escolar. A formação do jovem também é afetada por este afastamento já que quando sua formação sai do seio familiar e passa para empresários, agentes treinadores e clubes reforça-se a ideia do jogador como investimento lucrativo

    O estudo conclui que a circulação de jovens é um fenômeno do futebol brasileiro e que se estendeu aos clubes do interior.

    Que os jovens jogadores entendem e aceitam este fenômeno como uma característica da profissão que querem seguir, ou seja, faz parte do ofício.

    Ao serem afastados de suas famílias os clubes deveriam assumir maiores responsabilidades sobre a formação social e acadêmica destes jovens, já que se tornam referência para eles em substituição à família. Além de uma reconfiguração nas políticas clubísticas que incide em melhor planejamento, maior empoderamento das categorias de base, condições mais apropriadas para conciliar formação futebolística e escolarização, a pesquisa mostrou também a necessidade de uma maior interferência governamental.

    Essa interferência pode ter como referência os avanços alcançados nesse campo em países como Alemanha, Espanha, Holanda e França. Países em que os jogadores em formação estão menos expostos a uma grande circulação e, além disso, conseguem uma melhor conciliação entre a formação futebolística e escolarização do que no Brasil.

    Uma maior escolarização certamente contribui para amenizar as dificuldades presentes em uma possível reconversão profissional, principalmente para aqueles futebolistas que foram excluídos precocemente do universo do futebol profissional.

     

     

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