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    “O futuro da seleção”... mas e o desenvolvimento de novos atletas?

    Neste momento o mundo se prepara para assistir às semifinais da Copa do mundo. No Brasil, depois da eliminação, as opinões se dividem entre terra arrasada e a continuidade do trabalho feito pela atual comissão.

    Infelizmente, principalmente pela imprensa dita especializada, não vemos ninguém levantar a bandeira do trabalho nas categorias de base e da falta de uma organização neste sentido vindo da CBF.

    Nós entendemos que, para haver uma mudança no futebol brasileiro, algo de novo precisa vir de cima para baixo. Se não for uma exigência, quem está hoje trabalhando com o desenvolvimento de novos atletas, na sua grande maioria, dificilmente colocará a cabeça por cima do muro.

    Semifinal da Copa 2018 e título mundial Sub-17 e Sub-20: o trabalho da seleção inglesa

    Há alguns anos, fui convidado pela Federação Inglesa de Futebol, The FA, para palestrar em um dos seus Congressos de Treinadores. Nos três dias de Congresso, pude, além de palestrar e dar treinos para mais de 500 treinadores, assistir a um grande número de palestras e treinos de treinadores daquele país.

    Neste Congresso específico, já estive lá palestrando por duas vezes, tive a felicidade de ver o lançamento de um projeto chamado England DNA e também de assistir uma aula muito interessante dos professores Martin Diggle e Mark Pakula (World Cup Review “Playgrounds to World Cup Finals”.

    Esta aula específica era um estudo detalhado de tudo o que a Espanha e a Alemanha fizeram nos 4 anos anteriores às conquistas de seus últimos títulos mundiais. Que fique bem claro, a pesquisa era para tentar entender os projetos destes países no ciclo anterior à conquista, comparar com o atual estágio de desenvolvimento das categorias de base na Inglaterra e adaptar o melhor daqueles modelos ao projeto Inglês. Mais uma vez: não copiar, trazer o que há de melhor!

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    O referido estudo mostrava com detalhes as quantidades de jogos e tempo de treinos nas categorias de base nos três países (e em um determinado momento, do Brasil, já que eu havia apresentado estes dados um dia antes), a exposição das equipes (times) e das seleções de base a competições internacionais de alto valor competitivo e o quão distante a Inglaterra estava em termos de exposição ao jogo em relação aos outros países.

    Paralelamente, assisti a várias apresentações sobre o projeto England DNA. Este é um projeto idealizado por membros da FA, junto com a comunidade do Futebol na Inglaterra, para criarem a filosofia de jogo e treino das equipes inglesas. Perguntas como: quem somos, como jogamos, como treinamos?... etc, foram apresentadas como forma de criar uma cultura de treino e jogo, baseada em valores próprios (locais), onde todos os envolvidos tenham claro a forma de trabalhar e se comportar dentro e fora do campo.

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    Bom, parece que o esforço em entender o que está sendo hoje feito de melhor fora dos seus muros, e trazer toda esta informação a todos os envolvidos no desenvolvimento de jovens atletas, criou um caldo cultural positivo, com resultados imediatos. Mais especificamente os títulos de Campeões do Mundo Sub-17 e Sub-20 em 2017 e já estarem entre os 4 primeiros no Mundial da Russia.

    Apenas abrindo um pequeno parênteses, uma pena eu ouvir de mais de um dirigente de base no Brasil a seguinte Frase: “Não sei o que você vai ver lá na Inglaterra. Eles podem ser muito organizados, mas dentro das quatro linhas ainda somos nós que resolvemos”. Trouxe muito material de lá, mas nunca aproveitaram a oportunidade para olhar sobre o nosso muro!

    Ao final do Jogo Brasil x Bélgica passei a ler vários comentários sobre o jogo e sobre o “futuro” da seleção brasileira. Muita gente indignada por perder para um país sem “tradição” no futebol. Estas pessoas só esquecem que já há algum tempo a Bélgica aparece entre as primeiras seleções do ranking FIFA (goste ou não do ranking), e seus jogadores estão espalhados e são protagonistas nas principais ligas do mundo.

    O que não vejo são estas mesmas pessoas procurando entender como um país com 11 milhões de habitantes figura como protagonista do futebol Mundial.

    Bélgica: o trabalho por trás do sucesso

    Em 2000 a Federação Belga constatou que o número de jogadores de alto nível estava em declínio e que isto afetava a performance de sua seleção principal.

    Em um projeto muito semelhante ao realizado pela FA (Inglaterra), eles entenderam que precisavam maximizar o potencial à sua disposição, não poderiam desperdiçar talentos e para tudo isto necessitavam mudar a cultura das equipes formadoras (as academias).

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    Como parte da mudança cultural que ainda persiste, a Federação Nacional passou a incentivar torneios e oferecer mais oportunidades aos jogadores de desenvolvimento tardio (para entender o efeito da idade relativa, clique aqui e leia o texto sobre o assunto no nosso blog). A cultura da vitória nas categorias de base levando à escolha dos mais altos e fortes, ocorre em todo mundo, mas em um país com uma população pequena, esta cultura, segundo os estudos locais, leva a uma perda de 25% de talentos.

    Com isto, concluíram que não poderiam se dar ao luxo de perder uma quantidade tão grande de jogadores. Além disto, acreditam que, com o trabalho correto, mesmo os jovens jogadores não tão talentosos, podem se desenvolver e vir a jogar em um nível competitivo igual ou às vezes até melhor do que jovens mais talentosos. Além de competições regionais e nacionais com equipes formadas por jovens de maturação tardia, a seleção sub15 da Bélgica chegou a jogar um torneio com outras seleções da região, todas formadas por jogadores de maturação tardia.

    Os intercâmbios também foram importantes, tendo a França e a Holanda como dois países de exemplo para Bélgica. Além dos intercâmbios, a Federação teve a preocupação de colocar os mais novos para jogarem competições internacionais de alto nível, dando experiência para o que podem enfrentar pela frente.

    Outro ponto importante a destacar sobre a Federação Belga, é que eles já estão olhando à frente, à nova geração. Segundo membros da Federação, eles aprenderam com a geração francesa de 1998 e 2000, assim como com a dificuldade que a Espanha vem enfrentando para trazer novos jogadores à seleção principal, muito em virtude dos longos anos que os atuais jogadores se encontram na seleção.

    A Bélgica, assim como a Inglaterra, também acredita que o Futsal está no coração do desenvolvimento de novos jogadores. Diferente do Brasil, onde as Federações não conversam, nestes dois países as Federações incentivam o uso do futsal na base, pois entendem que este é um ambiente fantástico de aprendizagem (inclusive as duas Federações estudam projetos de integração das modalidades).

    Por fim, ainda sobre a Bélgica, o país hoje conta com a maior empresa de Auditoria e Consultoria Esportiva do mundo: a Double Pass. Hoje as principais federações e alguns dos maiores clubes do mundo tem a Double Pass como seus consultores (ex: Bundesliga, Premier League, JFA (Japão), EUA - aqui no Brasil iniciaram seus trabalhos com o Flamengo, e agora já estão no Internacional e Atlético-PR).

    A Double Passe é uma empresa que teve origem na Universidade de Bruxelas, tendo seu método baseado em pesquisa científica e em práticas relevantes. A empresa estuda todo o perfil dos clubes e federações, traçando um plano de desenvolvimento baseado em diretrizes que vão desde a estrutura dos Centros de Treinamentos (vestiários, número de campos, qualidade de equipamentos), até a capacitação dos treinadores envolvidos em todos os níveis do clube.

    Com tudo isso, a Bélgica mostra estar bem preparada também para os desafio futuros, pregando a humildade e o contínuo desenvolvimento do seu sistema de formação, já que acreditam que podem melhorar ainda mais.

    Aqui no Brasil, nós da International Evaluation System (IES), também baseados na nossa experiência acadêmica e embasados pelo o que há de mais atual na formação de atletas no mundo, desenvolvemos o sistema IES de avaliação de desempenho, que auxilia os treinadores na melhor compreensão do nível atual de seus atletas, podendo então buscar a melhor forma de desenvolvimento das suas potencialidades.

    Em breve, traremos mais novidades nas nossas ferramentas, ajudando ainda mais no avaliação e no desenvolvimento do potencial dos nossos jovens atletas!

    por Luis Fernando Paes de Barros
    Mestre em educação Física e pesquisador do Laboratório de Performance no Esporte na USP, integrou as seleções do Chile e Qatar e ministrou diversas clínicas e cursos de Futsal pelo mundo, inclusive para THE FA (Federação Inglesa de Futebol) em 2014 e 2015. Foi técnico da base de Futebol de campo no Santos FC de 2013 a 2015 e do Palmeiras até 2016, quando foi convidado pelo Agleymina Hamamatsu, clube de primeira divisão do Futsal Japonês, para coordenar o time profissional e de base.

     


     

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