Elaborando um bom plano de aula para treinos de Futsal e Futebol de Campo

    Um dos nossos objetivos aqui na plataforma é criar um foro de discussões de temas diretamente ligados ao treino. Com isso, traremos ao foro nossa visão em relação às avaliações e conteúdos de treinos, convidando todos os treinadores a participarem e opinarem.

    Como no texto de hoje, muitas vezes o tema será o treino propriamente dito. Não trataremos do conteúdo específico, já que ninguém melhor do que o professor para analisar e definir o conteúdo. Queremos aqui discutir a melhor forma de organizar o conteúdo no treino: a organização do treino.

    Acreditamos que, pelo menos para a maioria dos treinadores, o treino deve ter um objetivo. Fazendo uma analogia com nosso tempo de escola, seria o título de uma redação. Tendo definido o título (ou objetivo), o professor tem então claro o que deseja trabalhar naquele dia. Porém, não podemos esquecer que antes de pular para a escolha dos exercícios e manipular a ordem dos mesmos, o professor tem também que ter alguns outros pontos bem claros, como por exemplo:

    Classificação da modalidade: Modalidade aberta.

    O Futebol e o futsal são classificados como modalidades coletivas abertas, onde há sempre uma grande variação do ambiente, onde nossos atletas estão sempre tomando decisões (passe, chute, drible), de acordo com o que o ambiente oferece. Portanto, essa é uma característica que devemos também contemplar no treinamento.

    Mesmo para os professores que preferem a prática da técnica em situações separadas da realidade do jogo, sem pressão temporal ou espacial, nós recomendamos que depois façam a transferência desta fase analítica do treino, para exercícios onde a mesma técnica tenha que ser usada em situações mais próximas da variação de ambiente que encontramos nos jogo.

    Fase de desenvolvimento e nível de habilidade e conhecimento de jogo

    Compreender a fase de desenvolvimento dos seus jogadores é, no nosso entender fundamental. Escolher exercícios que sejam compatíveis com as características da idade, assim como, se possível, com o nível técnico e conhecimento de jogo, tentando sempre manter as turmas no mesmo nível, também é muito importante.

    Para as crianças menores, exercícios que contemplem a formação geral, criando uma sólida base motora, assim como exercícios com poucas fases, que facilitam o entendimento e execução dos jovens jogadores. Além disso, deixe os exercícios mais voltados para as capacidades condicionais (como força, resistência e velocidade) para os mais velhos (depois dos 14/15 anos). Antes disso, invista na base motora, na melhora técnica e no entendimento de jogo.

    Espaço, sua ocupação e material disponível,

    Mantenha a aula dinâmica, com poucas filas. Se tiver pouco espaço e muitos alunos, de preferência a brincadeiras e formas de jogo em que possa usar a bola, treinando assim aspectos do domínio, condução e passes, em situações onde a criança se sinta desafiada a tentar e tentar, sabendo que sempre a espaço para errar e tentar novamente. Se preferir utilizar exercícios como de finalização, utilize dois ou mais goals. Dê a oportunidade de tentar várias vezes. Novamente, evite grandes filas e poucas repetições.

    O Aquecimento

    Bom, voltando à analogia com a redação, depois de definido o título, ou objetivo, vem a Introdução, que será para nós o Aquecimento. No aquecimento, via de regra, estamos preparando nosso corpo para a parte principal do treino, ou seja, estamos preparando (introdução) para a parte mais forte do treino. Nesta introdução, podemos usar exercícios com ou sem bola, exercícios de coordenação ou mesmo brincadeiras e mini jogos. O importante é que, assim como na redação, o aquecimento tenha relação com o que venha a seguir. Os exercícios devem ter uma relação com a parte principal do treino.

    No futsal, por exemplo, se na parte principal do treino vamos usar exercícios com pivô, devemos usar no aquecimento exercícios em que as técnicas mais comuns do pivô, como recepção e proteção de bola sejam usadas. Podemos usar a técnica de proteção simples ou mesmo mini jogos em que essa técnica seja obrigatória. Qual o exercício, caberá a você escolher, o que nos importa, é que o aquecimento (introdução) tenha relação com a parte principal.

    A parte principal do treino

    Já na parte principal, o conceito é o mesmo. O número (quantidade de exercícios) que você vai usar depende do tempo disponível de aula, número de atletas e desenvolvimento dos mesmos. Mas, novamente, o mais importante é que os exercícios componham uma sequência lógica, fazendo com que o atleta entenda a evolução e a relação dos exercícios.

    Se escolher finalizar a parte principal com um jogo reduzido ou coletivo, é necessário que as regras obriguem seus atletas a usarem os padrões (ou técnicas) trabalhados durante toda a sessão de treino. Como no exemplo anterior do pivô do futsal, procure usar mini jogos em que o pivô seja utilizado. Se for coletivo, certifique que os atletas estão utilizando o que foi passado durante toda a sessão de treino.

    A parte final do treinamento

    Por fim, a volta à calma. Talvez esta seja a única fase do treino que não há obrigatoriedade de fazer algo relacionado com a parte principal e o aquecimento. Alguns professores utilizam cobranças de pênaltis, outros alongamento e etc.

    No caso das cobranças de pênaltis, se for com o objetivo de volta à calma, ou alguma brincadeira final, está ótimo. Se for com o objetivo principal de melhora da técnica, recomendamos então, que utilize no início da sessão, deixando sempre exercícios técnicos e de coordenação para o início da sessão.

    Voltaremos com outros textos sobre as sessões de treino, mas já adiantando, para a programação semanal, recomendamos a mesma ideia empregada para a sessão de treino: progressão didática. Se começar a semana com um objetivo, tente manter este mesmo objetivo pelo menos por toda a semana. Entendemos que para os alunos, ter a oportunidade de repetir, tentar, testar, observar a melhora é muito importante. Por tanto, mesmo que não queira repetir os mesmos exercícios, nos parece importante repetir o objetivo, dando mais tempo para tentar e reter as informações e o aprendizado.

    Boa sorte na sequencia dos treinos!

    por Luis Fernando Paes de Barros

     

    Mestre em educação Física e pesquisador do Laboratório de Performance no Esporte na USP, integrou as seleções do Chile e Qatar e ministrou diversas clínicas e cursos de Futsal pelo mundo, inclusive para THE FA (Federação Inglesa de Futebol) em 2014 e 2015. Foi técnico da base de Futebol de campo no Santos FC de 2013 a 2015 e do Palmeiras até 2016, quando foi convidado pelo Agleymina Hamamatsu, clube de primeira divisão do Futsal Japonês, para coordenar o time profissional e de base.

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