Itália fora da Copa: uma análise sobre o cenário do futebol italiano

    Pela primeira vez em 60 anos, a Copa do Mundo não terá a tetracampeã Itália entre suas participantes. O duro golpe para a Azzurra veio na terça-feira, dia 14, quando empatou em 0 a 0 com a Suécia no San Siro, em Milão, e acabou eliminada na repescagem das eliminatórias europeias.

    A confirmação da perda da vaga na Copa foi uma grande decepção no país, mas não foi uma surpresa para os italianos. A decadência do futebol italiano vem sendo anunciada nos últimos anos, com más participações em Copas do Mundo, perda de qualidade na liga nacional e escassez de jovens talentos italianos.

    Eliminação na primeira fase em 2010 e 2014

    Nas duas últimas Copas do Mundo – 2014, no Brasil, e 2010, na África do Sul -, a seleção italiana apresentou um futebol de baixa qualidade e foi eliminada precocemente, ainda na fase de grupos. Considerando os 6 jogos disputados pela seleção italiana nesses dois mundiais, são somente 5 pontos conquistados (2 em 2010 e 3 em 2014), com 3 derrotas, 2 empates e somente 1 vitória.

    Se em 2014 a Itália esteve no grupo da morte, ao lado de Uruguai, Costa Rica e Inglaterra, a eliminação na Copa do Mundo de 2010 foi ainda mais vergonhosa. Na África do Sul, a tetracampeã do mundo e, na época, atual campeã mundial (a Itália venceu a Copa de 2006, na Alemanha), conseguiu ser a última colocada em um grupo que tinha Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia.

    Decadência da liga e dos clubes italianos

    Juntamente das péssimas campanhas da Itália em Copas do Mundo está uma perda de qualidade de seus clubes e, consequentemente, sua liga nacional. Tradicionais forças do futebol mundial, Internazionale e Milan amargam campanhas ruins nos últimos anos, não conseguindo sequer classificação para a UEFA Champions League, principal torneio europeu de clubes. Já as também tradicionais Roma e Napoli, que têm se destacado nos últimos anos e aproveitado a decadência dos dois rivais de Milão, não conseguem fazer frente a gigantes europeus como Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique nos campeonatos continentais.

    A Juventus é um ponto fora da curva no campeonato italiano. Campeã dos últimos seis campeonatos italianos disputados, a Vecchia Signora se recuperou do rebaixamento em 2006, quando foi obrigada a disputar a segunda divisão do campeonato italiano e perdeu os títulos das temporadas 2004-2005 e 2005-2006 como punição por um escândalo de manipulação de resultados, e é a grande força do futebol italiano atualmente. Nos últimos anos, a Juve chegou a duas finais de UEFA Champions League, tendo sido derrotada por Barcelona e Real Madrid nas ocasiões.

    Escassez de novos talentos

    A grande fase da Juventus, uma das grandes forças do futebol mundial atualmente, porém, evidencia também uma falta de renovação nos talentos do futebol italiano. Os grandes nomes italianos da equipe nos últimos anos foram Buffon, Chielinni, Bonucci, Marchisio e Pirlo, todos com 30 anos ou mais atualmente. Além deles, grandes jogadores do futebol italiano, como Del Piero, da própria Juve, e Totti, da Roma, encerraram suas carreiras nos últimos anos e deixaram um vazio na seleção.

    Ainda falando sobre a Juve, nos últimos anos, os jovens que se destacaram com a camisa alvinegra foram quase todos estrangeiros, como o chileno Arturo Vidal e o argentino Paulo Dybala.

    Olhando mais para trás, o último clube italiano campeão da UEFA Champions League foi a Internazionale, na temporada 2009-2010, em uma equipe que não tinha italianos no time titular. Nem mesmo o técnico era italiano (o português José Mourinho comandava a equipe do holandês Snejider e dos brasileiros Maicon, Júlio César e Lúcio).

    Como manter uma seleção de qualidade em tempos de globalização? Os exemplos de Espanha e Alemanha

    Verdade seja dita, esse intercâmbio de talentos não é exclusividade dos italianos no futebol europeu. Desde 1995, quando foi decretada a Lei Bosman (que permitiu que jogadores de futebol, que são também considerados trabalhadores comunitários, não se vissem impedidos de jogar em outro país da União Europeia por normas internas da UEFA ou das respectivas federações nacionais de futebol), as equipes europeias têm sido cada vez mais verdadeiras seleções mundiais.

    Mas a Lei Bosman e a presença de estrangeiros não são suficientes para explicar o mau desempenho da seleção italiana. Nesse mesmo período, existem bons exemplos de como utilizar esse intercâmbio a seu favor, fortalecendo sua liga, seus clubes e, ao mesmo tempo, revelando talentos e mantendo a força de sua seleção nacional.

    Melhore seu método de treinamentos e ensino com o IES Football. Clique aqui e adquira já

    Leia também: Danúbio: A universidade do futebol uruguaio

    A Espanha, por exemplo, acabou com a síndrome de ser uma seleção que sempre decepcionava em mundiais para ser uma equipe vencedora, conquistando a tão sonhada Copa do Mundo, em 2010, e mais duas Eurocopas. Além disso, Barcelona e Real Madrid misturam talentos espanhóis e estrangeiros e são soberanos no futebol europeu nos últimos anos. Destaque também para Atlético de Madrid, duas vezes finalista da Champions nos últimos anos, e Sevilla, pentacampeão da Europa League.

    Já a Alemanha passou pela mesma crise de baixa renovação de talentos e decidiu aumentar os investimentos em sua base a partir de 2002, mesmo com o vice-campeonato da Copa do Mundo. Com isso, os alemães revolucionaram suas categorias de base, revelaram grandes talentos como Philipp Lahm, Bastian Schweinsteiger, Tony Kross, Manuel Neuer e outros e conquistou o tetracampeonato mundial em 2014, com direito a um 7 a 1 na semifinal em cima do Brasil. A Bundesliga e os clubes alemães (principalmente o Bayern de Munique) também melhoraram de qualidade com a junção de revelação + importação de talentos e conquistaram destaque no cenário europeu, chegando ao ápice na temporada 2012-2013, quando Bayern de Munique e Borussia Dortmund fizeram a final da UEFA Champions League.

    Saiba mais sobre o Modelo Alemão de Formação de Jogadores com nosso eBook GRÁTIS. Clique aqui e baixe.

    Outra seleção que colhe os frutos de um bom trabalho de base é a Bélgica. Com jogadores como Hazard, Courtois e De Bruyne, a seleção belga superou as ausências nas Copas de 2006 e 2010 e vai para a sua segunda participação seguida em Copas do Mundo em 2018, o que não acontecia desde as participações nas Copas de 1982 e 1986.

    Inglaterra: a Itália de amanhã?

    Outra grande seleção que vem encarando tempos difíceis é a inglesa. Apesar de ter tradicionalmente resultados inferiores aos da Itália em mundiais, a Inglaterra também vem tendo resultados decepcionantes, tendo sido eliminada na primeira fase na última Copa do Mundo e não conseguindo a classificação para a última Eurocopa, em 2016.

    O cenário inglês, entretanto, é mais otimista e promissor. Primeira colocada em seu grupo nas eliminatórias para a Copa de 2018, a seleção inglesa conta com jovens nomes em sua equipe titular, como Dele Alli, Marcus Rashford e Harry Kane, principal jogador da seleção.

    Além disso, o ano de 2017 foi de conquistas para as categorias de base inglesas, com os títulos dos Mundiais Sub-20 e Sub-17.

    A preparação italiana para a Copa de 2022

    Não bastassem todos os problemas, nas eliminatórias para a Copa de 2022, no Qatar, a Itália não contará com o lendário goleiro Buffon, que, aos 39 anos, despediu-se da seleção na fatídica partida contra a Suécia. Além dele, Chielinni, De Rossi e Bonucci também podem ter feito sua última participação pela seleção italiana na última terça-feira.

    Apesar disso, o cenário não é de total desespero. O jovem goleiro Donnarumma, do Milan, de apenas 18 anos, é a grande promessa do futebol italiano e pode provar ser um grande substituto para Buffon nos próximos anos. Além dele, o meia Marco Veratti é um dos destaques da excelente equipe do PSG e terá 29 anos no próximo mundial. Já o atacante Lorenzo Insigne, destaque da Napoli, terá 30 anos em 2022 e também poderá ajudar nesse ciclo até a próxima Copa do Mundo.

    Muito criticado pela imprensa local, o técnico Giampiero Ventura foi demitido do cargo após a derrota para a Suécia e não será o treinador da seleção na preparação para 2022, o que é visto como algo positivo para muitos dos especialistas e torcedores italianos.

    O caminho é longo e o cenário não é dos melhores, mas a esperança é que a seleção italiana, com toda sua tradição e títulos, recupere-se desse baque e conquiste a classificação para a Copa de 2022, no Qatar.

    logo ies gd bcIES - International Evaluation System
    Av. Rio Branco, 257 - Cj 902 - Centro
    200040-009 | Rio de Janeiro - RJ 

    Últimos Artigos no Blog

    24
    Set2019

    Nova parceira do IES, My Soccer Academy realiza primeiro evento de avaliação de desempenho utilizando a ferramenta

    O IES segue ganhando clientes e marcando presença em eventos de avaliação de desempenho de jovens at...

    19
    Set2019

    IES fecha mais uma parceria nos Estados Unidos

    O IES segue expandindo seus negócios pelo mundo, com foco no mercado dos Estados Unidos. O novo parc...

    O Aplicativo IES

    bt google store

    bt apple store

     

    © 2017 IES. Todos os direitos reservados.

    Busca no site